Moda na década de 50 – Parte 1

15 dez

A década de 50 – ou mais precisamente, de 1947 até 1957 – foi chamada pelo estilista mais influente da época (Christian Dior) como “Era de ouro”. Para contar um pouco a vocês de como foi a moda neste período, vou pontuar as coisas mais relevantes nesta série de artigos. Para isso vamos (também) nos basear no livro:

I – Entendendo como se compravam as roupas naquela época.

Em primeiro lugar, não era nada fácil. O prete-a-porter (pronto para vestir) foi inventado em 1949, mas fica claro que levou um tempo para se estabelecer, embora tenha sido relativamente rápido. Basta ver que, pouco tempo depois, as pessoas só compravam suas roupas prontas. Antes disso, porém, as pessoas faziam suas roupas em costureiras, pequenas boutiques ou – para quem podia pagar – nas luxuosas casas de alta costura. Basicamente, quando a produção industrial ainda não produzia essas milhares de roupas para  um público alvo grande, as pessoas encomendavam suas roupas, faziam provas, tiravam medidas, escolhiam os modelos.

E tudo isto há tão pouco tempo atrás! Hoje, quando buscamos a modéstia e vemos o quanto é necessário achar uma costureira, tendemos a desanimar pensando em todo o trabalho que temos pela frente (se bem que encontrar uma boa costureira talvez seja a parte mais árdua)! Ora, as mulheres de todas as épocas faziam isso mesmo, então não podemos reclamar muito.

Isto explica também a grande variedade e singularidade desta época. Cada vestido é como que único; é muito difícil, portanto, que se olhe para um autêntico vestido desta época (e, principalmente, das anteriores) e se imagine que houve milhares de exemplares iguais aquele. Claro que devido ao sucesso de uma peça, tende-se a copiar e reproduzir o modelo, mas entende-se perfeitamente a diferença entre uma calça que a Levi’s lance hoje – e que está, igualzinha, em grande quantidade em todas as centenas de lojas que ela possui ao redor do mundo – e um vestido de Pierre Baiman no passado.

Isto é importante para entendermos porque esses vestidos “antigos” caem tão bem nas moças que os usam. Eles foram feitos sob medida, foram provados e ajustados algumas vezes antes que elas saíssem por aí com a peça. Bastante diferente de comprar uma roupa totalmente já pronta – que são feitas baseadas em padrões básicos. Hoje uma blusa de determinado número  é feita para caber em tantos tipos de corpos. Daí se percebe também quanto perdemos da distinção e da elegância nos trajes: podemos dizer que, hoje, as roupas são em geral desalinhadas no corpo, folgadas (ou justas demais, dependendo da intenção da moda), com um corte não muito preciso.

Falando das casas de Alta Costura – que ditavam a moda, e por isso são importantes para entendermos o assunto – funcionavam da seguinte maneira:

Eram enormes e tinham muitos empregados. No andar térreo havia a boutique, ou seja, as roupas ficavam expostas de uma maneira muito parecida como vemos nas lojas atuais. No andar superior ficava um enorme salão com as coleções. Uma vendedora atendia pessoalmente cada cliente. Modelos experimentavam as peças e mostravam às interessadas, ou estas experimentavam. Instaladores, alfaiates e costureiras trabalhavam nos bastidores, fazendo os ajustes necessários, ou produzindo as novas peças encomendadas. Os estilistas, então, criavam e inventavam os modelos – a cada sucesso, novas encomendas e cópias pelo mundo.

II – A moda depois da guerra e o New Look

Durante as duas guerras mundiais, é de se compreender que a moda seja muito mais austera, simples e econômica (que são, aliás, coisas positivas, não fossem as circunstâncias que obrigavam a moda a seguir este curso). Escassez de tecidos e de produções de todos os tipo, falta de dinheiro para gastar com roupas… as pessoas – dada todas as circunstâncias de uma guerra – não podiam mesmo se dar a certos luxos. Quando acabou a guerra, a despeito de tantas dificuldades outras, a moda desejava ser mais luxuosa, diríamos até mesmo extravagante. Muitos acessórios, brilhos, cores, volumes, tipos de tecidos, enfim… com isso podemos compreender uma diferença essencial entre a moda dos anos 40 e 50, por exemplo. Foi neste contexto que Christian Dior lançou o “New Look”, um estilo que – segundo dizem – pretendia ser uma antítese da moda um tanto maculinizada do período da guerra. Para isso, ele colocou muito volume na saia, usou tecidos nobres, devolveu as cores. Uma famosa criação do estilista:

A cintura passou a ser bem marcada – neste famoso formato “ampulheta” e o tamanho da saia aumentou um pouco (por causa da falta de tecidos, o comprimento das décadas anteriores comumente era menor). A quantidade de tecidos para fazer um modelo desses era tão grande que causou bastante indignação na época, pelo fato de que ainda havia uma espécie de “racionamento” dos materiais.  Por conta disso, esta coleção tão “generosa” foi lançada em segredo, para a Rainha Elizabeth e outros membros da família real.

Uma vez lançado, o estilo foi um completo sucesso, copiado por todos. Depois de passar por um longo período de economia, as pessoas se permitiram muitos luxos – e, claro, esta forma de encarar a moda não é nem um pouco boa. Nos anos 50 houveram uma série de modas terríveis, imorais, sensuais demais… descambou em muitos abusos. As divas do cinema ajudaram a consolidar modelos e tendências da moda e de comportamento. O tomara-que-caia foi inventado e popularizado pelo cinema – uma vez que as mocinhas “boas” usavam na tela, as moças de família passavam a aderir a moda.

Típico e luxuosíssimo vestido dos anos 50. Este estilo vai atravessar toda a década e início dos anos 60. Saia rodada, volumosa, cintura marcada. Este vestido de festa parece os do século anterior. Uma boa tendência da época foi a feminilidade, como vamos ver nas partes posteriores.

Salve Maria!

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