Quando achei uma costureira…

  

Vamos supor que você ainda não encontrou uma costureira. Na verdade, você nem sabe por onde começar, e por isso acha que elas nem existem! Calma! Quantos fuscas amarelos você viu no último mês? Aposto que nenhum… mas se tivesse passado o mês procurando, talvez tivesse visto pelo menos três.

Encontrar uma costureira boa se trata disso: você tem de procurar. Nesta hora, vale de tudo: lista telefônica, internet, consultar amigos… talvez você tenha ido num casamento e se lembre de uma tia que encomendou um vestido… ou tenha passado num lugar e visto uma placa. É fato que quem procura, acaba achando… não será diferente com você.

O site “Oficina de Estilo” fez um post com o intuito de criar uma lista colaborativa de costureiras no Brasil. Lá você pode conferir o contato de muitas costureiras, em diferentes cidades. Quem sabe você não encontra uma perto de você para começar a testar os serviços? Olhe os contatos nos comentários. CLIQUE AQUI

Se você é uma das minhas leitoras de Portugal, o site Burda Style [daquela revista de moldes] tem uma lista disponível de costureiras espalhadas pelo país. Basta se cadastrar e ter acesso a lista!

Eu já achei algumas costureiras… a primeira era ruim, mas tive de me virar com ela no início porque eu não podia pagar por outra. Na verdade, seria justo dizer que este período inicial foi ruim também por minha causa, pois eu era muito inexperiente. Eu achava que era muito óbvio chegar na costureira e explicar as características do vestido que eu queria [só na minha cabeça] e ela compreender e fazer igual. Eu me lembro de fazer gestos com as mãos para explicar o caimento da parte da saia [eu queria “godê”, mas não sabia o nome], e a grande decepção por receber uma peça sem nenhum balanço. Por favor, não faça isso!

Não é difícil chegar na costureira menos “verde”, caso você tenha passado a vida inteira comprando roupas prontas e ignore a diferença entre um decote em “U” e o canoa. Aprenda os nomes dos tipos de saias, decotes …nós estamos vendo isto aqui, esta semana. A maioria das saias e vestidos que vemos nas fotos podem ser descritos nesses termos, daí a possibilidade de ver um modelo legal aqui no blog, e levar a foto para que a costureira possa visualizar melhor o que você quer… 


Clássica saia evasê ou em “A” e diferentes idéias

Depois que você aprende os diferentes tipos de saias, aprende também que pode variar nos complementos… por exemplo, tornar a saia godê completamente diferente por escolher cintura alta ou baixa. “Saia de pregas” não é um tipo de saia, mas antes um artifício que você pode pôr em diferentes modelos, até porque existem tipos de pregas distintos. Dominando isso aos poucos, fica muito mais simples encomendar suas roupas na costureira… pois é óbvio que uma boa costureira sabe da existência de vários modelos de roupas… mas se você não estiver por dentro, como vai pedir o que quer? 

Se os modelos que você deseja são simples, basta chegar com uma foto e o tipo de modelo para sair com o que você quer. A costureira tira suas medidas, e providencia a peça.

Por experiência própria, eu peço para a costureira tirar as minhas medidas, mas fazer a peça de acordo com o manequim de um molde. Por exemplo, eu uso saia 40. Então, prefiro que ela tire um molde de uma saia evasê 40, adequando às minhas medidas, e depois fazer os ajustes. Algumas saias – reta, godê, evasê – são tão básicas que talvez dispensem o molde para uma costureira muito experiente. O mesmo não acontece com modelos mais complexos – por exemplo, blazers, blusas, vestidos com detalhes… no caso dessas peças, o corte é fundamental para um bom caimento, assim como uma costura cuidadosa. Por isso, é preciso que se siga à risca o molde, caso contrário, a peça não vai encaixar… uma costureira fez um blazer para mim uma vez, “de olho”, por cima de outro… e a peça simplesmente não encaixava no meu corpo.

No caso de querer uma peça mais complexa, vai precisar de molde. Se a costureira for daquelas muito profissionais, acostumada a trabalhar com alfaiataria, ela pode ter no seu ateliê alguns moldes disponíveis, ou tirar ela mesma o molde. Quem aprende bem isso, sabe como desenhar o próprio molde lendo as medidas num tutorial, por exemplo, e passando para o papel kraft.

Se isto que acabei de dizer soou grego para você, eu esclareço: vocês devem conhecer a revista Moda Moldes ou Manequim. Elas trazem um grande encarte de moldes de roupas, onde as costureiras podem “decalcar” cada pedaço da peça em tamanho natural, e passar para um papel manteiga ou kraft [papel metro]. Veja a foto:

No caso de quem tira moldes a partir de um tutorial, não existe o decalque das peças em tamanho natural, mas apenas um pequeno desenho com as respectivas indicações das metragens. Dessa forma, tal qual uma desenhista, a costureira lê as medidas e as desenha no papel kraft, para então recortar e usar o molde. Veja a figura abaixo.

Se encontrar uma costureira que tire moldes deste tipo, as coisas ficam mais fáceis, pois é possível achar tutoriais de diversas peças na internet, especialmente se você souber ler em inglês.

Felizmente, a maioria das revistas brasileiras de moldes trazem sempre os modelos mais básicos. Por exemplo, blazers, casaquetos, vestidos… a Revista Manequim, por exemplo, costuma trazer moldes de peças clássicas, como o tailleur. Claro que a maioria das peças traz um comprimento ou decote imodesto nessas revistas, mas isso é fácil de ser resolvido; basta aumentar aqui, fechar ali. As costureiras geralmente assinam essas revistas, como Manequim, Molde e Cia, Moda Moldes… vale a pena dar uma olhada nessas revistas, para assim ir montando seu guarda-roupa. Às vezes eu mostro um casaqueto aqui no blog, e a moça fica desapontada porque “jamais vai conseguir mandar fazer um desses”. Que nada! O modelo de um casaqueto é praticamente o mesmo. Você deve ficar de olho nas idéias dos estilistas: tecido, detalhes, apliques… e então incrementar o básico para ter o sofisticado.

De qualquer forma, para quem deseja modelos mais trabalhados, eu aconselho a investir em moldes. Isto mesmo! Da mesma maneira que uma costureira compra os moldes para o seu ateliê, você deve considerar ter alguns moldes na sua coleção. Eu costumo comprar essas revistas: é assim que vou me familiarizando com os tecidos e modelos, além de ter à mão o molde que eu desejo que a costureira faça.

Outro fato importante é que você tem de se acostumar a fazer da ida na costureira uma rotina que vai levar um tempo da sua semana. É preciso fazer provas, que às vezes necessitam de mais provas e ajustes. Se a costureira é no seu bairro, fica mais fácil, mas pode ser que ela more longe. Daí é preciso juntar um pouco de dinheiro para pedir logo algumas peças, e assim não perder tanto tempo fazendo uma saia. Mas atenção: só depois que você testou, certo? Não caia na loucura de encomendar saias e mais saias com alguém que você nunca trabalhou antes… uma vez testado os serviços, aí sim!

E antes que alguém de Salvador venha me perguntar sobre a minha costureira… infelizmente [que ela não me ouça] não vou poder indicá-la, porque não a testei completamente ainda. Na verdade, ela fez três vestidos para pessoas da minha família: dois ficaram bons, um ficou “ok”.  Não é, nem de longe, como uma costureira que fez uns belos conjuntos para umas amigas minhas em São Paulo… eu já deixei um tecido com a minha para ela fazer um vestido, se este ficar bom, eu aprovo ela como boazinha, pelo menos! rs… Estou convencida que a maioria das cidades deve ser mais profissional – em Salvador, a coisa anda mal das pernas…

Mas, como veremos esta semana, fazer uma roupa de bom caimento dá trabalho… é útil que a gente tenha um pouco de noção do que seja um trabalho bem-feito, para assim exigir coisas melhores.

Continue acompanhando, pois vamos aprender ainda muitas coisas…

Salve Maria!

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5 comentários sobre “Quando achei uma costureira…

  1. Você falou bem, Lu. Para quem quer costurar o ideal é investir em moldes. Eu comprei moldes da Exacto Moldes. E veja só, lá eles vendem moldes separados para saias, blazers, vestidos, mas se você comprar somente o molde do vestido você pode fazer tudo isso sem precisar investir em moldes avulsos. Realmente, o blazer dá mais trabalho, tem que saber modelar e cortar, senão fica uma nhaca! rsrs… mas com a prática, tudo é possível. O blazer é a peça desafio minha, nunca fiz, mas pretendo fazer, quem sabe para este inverno ainda! Espero que eu não estrague a peça kkk…

  2. Oi, Luciana! Estou gostando muito desta semana especial. Parabéns pela ideia!
    SOu de SP, como suas amigas. Vc poderia me indicar essa costureira fantástica delas? Pode me mandar o contato por email.
    Em Cristo e Maria.

    1. Salve Maria, vou entrar em contato com estas amigas para que me passem o n° da costureira de São Paulo… daí te passo por e-mail sim, e vou verificar se teria algum problema de divulgar no blog, para as outras moças de SP… beijos! [ps: devo falar com elas no fim de semana, então tem de aguardar uns dias… mas eu mando, não se preocupe; se eu demorar absurdamente mais de 1 semana, me lembre]

  3. Adorei a Godê!!!!!

    Bom, estou adorando os posts, me inspirei! Vou tomar uma atitude e agora msm no começo de maio, vou começar a juntar a minha mesada e procurar uma boa costureira (achei que tinha achado uma, mas não.) E fazer alguns vestidos assim que possível.

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